Pintura Rupestre do Rush

Por entre as artérias entupidas de São Paulo, a beira de um colapso cardíaco coletivo, sob o som atordoante de buzinas com diversos timbres e feixes de luz que refletem a tecnologia da megalópole, eu fui esmurrado por um fato que parece ter sido invisível a todos os engravatados, engarrafados e enfurecidos que passavam por ali.
Um homem escondido em trapos e sujeira, com aparência de quem acabara de ser descongelado e ainda estava atordoado por tanto caos e modernidade, foi atropelado pela pressa de quem sempre quer chegar em casa logo.
Cambaleando como um possível embriagado, por entre os carros quase morreu várias vezes. Dançando com a monstro da morte, por pouco não ganhou uma passagem para o IML. Torcendo para que seu sofrimento acabasse em um seguro acionado, ele com certeza não foi visto e ironicamente acabou sentando como uma pedra, as margens da marginal.

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