O filme

Com um copo de conhaque barato, brindo a beleza inexplicável do invisível, saúdo cada relato insensato dos bêbados, agora românticos e ao meu redor. Exponho minhas soluções mirabolantes, minhas viagens lunares e respostas atômicas, descrevo meu passado ao qual tento a todos tele transportar. Nessa mesa trêmula e alcoolizada, acabo de sorver mais um barril de idéias: diluídas em cubos de gelo, filtradas por um repertório marginal e amargadas por longos goles de fantasia.
Nessa dança quase que tribal, em meio aos ritos da modernidade boemia, preservo o momento e o mantenho longe da minha ilha de edição. Não ligarei se amanhã acordar com as têmporas em ritmo de tambor, nem se estiver com o estômago em chamas, só quero o relato de hoje, estampado em meus frames.

Chapéu Panamá

O Homem do chapéu Panamá

em um turbilhão de idéais trafega por entre rios e nascentes do inconsciente.

Ele sabe que o éden está contido na caixa crâniana e que o resto, é apenas cenário de tolos devaneios.

Carne

Osso

Matéria que se choca no dia-a-dia da megalópole


Ele sabe que na roleta a vida não tem freios.

Indiscritíveis

Inevitáveis são os pingos,

dos quais não teimo em desviar

Indubitáveis são as coisas,

as quais tem chance de duvidar

Imprescindíveis são as palavras,

as quais em silêncio eu sei lidar

Indivisíveis são teus olhos,

os quais não posso nunca evitar

Gravidade Relativa

O espaço
O passo do antepassado
Falta da Gravidade

Ex-passo
O posso já ultrapassado
Alta da grave idade

Rotina

As senhas imemoráveis de cada ato público
O itinerário trabalhista simétrico
O despertador histérico
O preço do álcool
O passo do ano
O nosso incêndio
O espaço impublicável
Artérias quase que intransitáveis
As senhas inexplicáveis de cada ato público
E uma pitade de vontade a gosto