(I)Reversível

Arrependimento

Hoje irreversível

Até que o amanhã

Seja suportável

E o indivisível medo

de tudo não dar em nada

Veja o inevitável

Sexto Sentido

Sexto sentido
É mais que ambigüidade
Não cabe em texto
Não é vendido

Não se ouve
Não se cheira
Não se palatiza
Não se tateia
Não se vê
Mas faz sentido

Ordem das coisas

Lá vem ele
Vendendo Rosas
Amarelas
E Brancas

Lá vem ela
Vendendo Prosa
Tagarela
E Franca

Domingo

Acordar de ressaca
Entregar-se a um bife capaz de entupir o coração
Chamar com zelo o Garçom
Pedir Coca-Cola com gelo e limão
E depois escrever um poema
Pra quem realmente sabe o que é bom

Grande pequeno mundo

Será que o mundo todo cabe em meus pequenos olhos?
Não
nem tanto
eu tento
e logo fico tonto.
Perdoem-me pelo exagero
é só curiosidade mesmo
Uma ilustre alegria por saber que tudo tem textura
e que nos meus textos,
cabe o mundo todo se eu quiser
Teus pés
Tua boca
Tua roupa
e não só isso
esse conjunto todo
sob um sol roxo,
embarcando em meu convés.

Espera

Em meio ao silêncio intocável
Vi a ansiedade inundar a sala
A ponta afiada do ponteiro apontando para meu peito
A porta arriada da porteira aportando em meu porto
Não vi ninguém entrar
Não sai.




















E de repente estava longe daquele longo espaço vazio.

Herança Etílica

Um brinde aos Poetas Marginais

Cujos tantos goles tomados

De alguma forma foram o princípio de minhas métricas

E talvez, do meu alcoolismo sazonal

Cerveja no Verão

Vodka no Outono

Whisky no Inverno

Vinho na Primavera

Enfim,

Poesia o ano todo

Louvado sejam os loucos

Se houvesse tempo ou se eu ainda pudesse enlouquecer mais um pouco

Talvez eu fosse poupado desse monte de coisas
Que são coisas por serem só coisas e nada mais
Talvez eu não lesse tanta notícia regadas a rezas
Que não são rezas por serem rezas e tanto mais
Talvez eu não visse os dias que giram as pressas

Se eu pudesse enlouquecer mais um pouco ou se ainda houvesse tempo